SUA MENSAGEM

Uma lenda chamada "Vapor Benjamim Guimarães"

Quem das cidades ribeirinhas banhadas pelo Rio São Francisco nunca ouviu falar do "Vapor"? Barcos enormes que navegavam majestosos sobre essas águas. Festa  mesmo era quando lançavam suas âncoras atracando em algum porto do Velho Chico, onde alimentou por vários anos histórias e fantasias na população, utilidade pública, e por mais de meio século foi um dos principais meios de transporte. É fácil ouvir de pessoas mais idosas histórias contadas com nostalgia da passagem dessas lendas por suas cidades.  Onde parava as cidades fervilhavam de gente da região: comprando, outros vendendo. Uns chegando, outros partindo. Entre todos os barcos gigantes tinha um em especial: O Vapor Benjamim Guimarães.



O Benjamim Guimarães foi rei, o primeiro e o último do São Francisco. O certo é que Ele fez sua história e deixou marcas profundas na cultura ribeirinha do Rio São Francisco. O Professor Antônio Barbosa, conta em seus livros várias histórias, geralmente hilárias, várias delas estão no livro "Memórias de uma época". 

Esse lendário barco  atualmente é o único em atividade no mundo. São 101 anos de história, de nego d'água,  e de cismas de beira de rio. Foi construído nos Estados Unidos no ano de 1913 pela empresa americana James Rees & Com. e antes de deslizar sobre águas do São Francisco, navegou primeiramente no Rio Mississípi (Estados Unidos). Alguns anos depois foi adquirido por uma empresa brasileira, onde passou pouco tempo na Bacia Amazônica.




Por volta de 1925 foi transferido para o Rio São Francisco, mais especificamente para   cidade de Pirapora (MG),  uma aquisição milionária para os padrões da época. Seu novo dono foi o empresário mineiro Júlio Guimarães que  rebatizou-o de Benjamim Guimarães, nome de seu pai.

Ganhou o apelido de "Gaiola",  e por muitos anos foi um dos principais meios de transportes entre os estados de Minas Gerais, Bahia e Pernambuco. A viagem durava em média seis dias, num emocionante cruzeiro. 

Transportava de tudo, desde pessoas a animais de pequeno porte e mercadorias de todos os tipos. Durante a segunda guerra, no ano de 1943 fez parte de uma importante estratégia entre os governos brasileiro e americano, transportando  material  bélico e soldados até Pernambuco e de lá enviados ao combate na Europa  contra as forças nazistas (mais detalhes sobre esse episódio veja aqui).



O Rio São Francisco foi navegado por diversas embarcações, todas nos padrões do Benjamim, mas o Ele foi  soberano sobre essas águas majestosas. Nenhum foi tão famoso quanto essa lenda.

Nesses 101 anos, o barco mudou de dono diversas vezes. Na década de 40 foi de propriedade Navegação e Comércio do São Francisco do empresário Quintino Vargas. Poucos anos depois para a Cia. Indústria e viação de Pirapora. Em meados da década de 1950 foi estatizado pela União. Em 1986 foi tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado de Minas Gerais, onde recebeu sua primeira reforma. Passando logo em seguida a ser uma embarcação de turismo, onde percorria a extensão de 460 km, dentro dos limites desse Estado.

De 1997 até 2004 o barco esteve parado, onde passou por profundas reformas, ganhando o aspecto atual, transformando-se num barco de luxo, com cabines sofisticadas ao gosto do bolso do freguês. Em 2014 o barco foi interditado pela companhia fluvial devido ao baixo nível das águas do Velho Chico, e está descansando (prefiro pensar assim). Fica a nossa torcida para que em breve essa lenda possa navegar novamente. Alimentando a imaginação dos seus passageiros e do povo de todos os lugares por onde passar.


Veja abaixo algumas das principais imagens do Benjamim Guimarães, clique na imagem para ampliar.
James Rees, construtor do Benjamim Guimarães

Embarcações típica do Mississípi, de  onde  pode ter sido construído o Benjamim

Movimentação nos portos de parada do barco. Fotografia de Marcel Gautherot (década de 1940)

Fotografia da década 1970

Porto de Bom Jesus da Lapa (década de 1970)

1987
Década de 1990

(2004) depois de ter passado por profundas reformas a partir de 1997 




Formato atual, luxo.

Fabulosa pintura de Léo Costa
Miniatura de artesões ribeirinhos.
Por Irineu Magalhães


Principais fontes: Wikipédia e Paradiso Turismo.



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